Arquétipos em nossa vida... vivenciando o caminhar

Marylú Montenegro

Carl Gustav Jung é, sem dúvida, o psicólogo deste novo milênio. Sua percepção do inconsciente coletivo, suas incursões nos mitos e lendas valorizam a convergência entre a cultura e a psique. Jung percebeu que o ser humano se pautava por padrões arquetípicos, marcando profundamente o seu comportamento e a sua mente. Os arquétipos aparecem nos sonhos, na literatura, nas histórias e se tornam presentes em nossas vidas, nos orientando se que nós saibamos.

- De forma inconsciente, vivenciamos o arquétipo e, às vezes, podemos reconhece-lo através da linguagem corporal e verbal. Nossa história pessoal, nossa cultura determinam o arquétipo dominante da nossa trajetória. As etapas neste caminho constituem uma evolução para que atinjamos um processo de individuação livre de medos e inseguranças. Para chegarmos ao auto-conhecimento ou processo de individuação, é necessário mergulharmos nestes arquétipos - manifestações inconscientes - encontrando assim, o caminho da libertação psíquica e emocional - explica a psicóloga, psicopedagoga e terapeuta floral Marilú Miranda e Almeida.

Para ela, os arquétipos são grandes amigos, pois projetam nosso estágio de forças para enfrentar sua puberdade e adolescência. Se porém, não tiver firmado esta independência emociona, se tornará dependente posteriormente.
- Quantos adultos, permanecem neste estado de orfandade durante grande parte ou até para toda a vida. Como ser autônomo nas ações quando não vivemos este processo de independência na infância? - pergunta Marilú. O arquétipo do órfão é bastante difícil de se vivenciado, pois exige desprendimento e coragem.

Ela lembra que, neste momento, a humanidade experimenta esta sensação de abandono. É como se nos tornássemos órfãos da nossa Mãe Terra - ameaçada de destruição pelo terrorismo. No entanto, não podemos paralisar diante deste desespero. Precisamos de maturidade e coragem para seguir em frente, com a força do arquétipo do nômade, assim como os ciganos o fizeram, tão perseguidos por tantas décadas.

Segundo ela, o arquétipo de caminhante, com muita determinação e tranqüilidade, percorre a meta da transformação pela paz no planeta. O conformismo não pode fazer parte dessa etapa e o arquétipo do guerreiro, sem armas e canhões, se torna presente. Guerreiro que luta por que é forte, que não se curva e nem se torna vítima, como no arquétipo do mártir.

- Visualizarmos hoje, grande parte da humanidade presa na orfandade ou vitimação. Viver o guerreiro é lutar sem guerra, é ter coragem de dialogar, é ser guerreiro fumando o cachimbo da paz. Curvar o corpo, reclamar da vida é paralisar no arquétipo do mártir. O homem tem sido educado para a guerra das nações, do sexo e do poder. Sem vivenciar sua sensibilidade e seus sentimentos, se torna o arquétipo do guerreiro, sem aprender a viver a dor - observa Marilú.

A seu ver, a mulher, aprendendo a servidão e a passividade, vivencia o arquétipo do mártir e se torna mais passível a ser vítima. Hoje, o mercado de trabalho exige que a mulher incorpore o arquétipo do guerreiro, lutando para a sobrevivência. O espaço para a passividade se torna dissonante e ela convive com este arquétipo, par e passo, junto ao homem.

- Cada arquétipo traz no bojo um paradoxo. Se não buscarmos a segurança e temermos o abandono, não sairemos do órfão. Se não lutáramos para evitarmos a passividade, permaneceremos no mártir. Se não caminharmos firmemente, não atingiremos o guerreiro. E se não ultrapassarmos estes arquétipos, não atingiremos a sabedoria interna, do arquétipo. O Mago, aquele que já viveu a separação, que já lutou com tenacidade para atingir a sua meta, que já sofreu para sair da inércia, que percorreu com independência a estrada da vida - afirma Marilú ( telefones 2549- 5764 ou 2548-3122 ).

Segundo ela, o arquétipo do Mago não traz ais dualidade, pois ele acredita no universo e nele mesmo, tem fé na verdade porque não usa máscaras, não precisa ser vítima porque prescinde da opinião do outro, não vive através do outro. Tem compaixão porque já sofreu, compreende a dificuldade do nômade porque já caminhou. Enxerga a verdade, porque vê o mundo além do individualismo, do conformismo, da competição e do poder.

- O poder do Mago está dentro dele mesmo, crê que o universo não é estático que a grande magia não é controlar o outro, não é ter o poder sobre ninguém, mas o poder de ser ele mesmo na sua essência mais profunda, infinita e bela. O Mago restaura o equilíbrio psíquico pois, quem não tem medo do julgamento, da ameaça, das guerras internas, do domínio do outro... está é livre! Os arquétipos em nossa vida tem a proposição maior de compartilhar essas reflexões para que possamos escolher e vivenciar o nosso caminhar - acrescenta.