
Marylú Montenegro
O FEMININO FERIDO refere-se á trajetória que o ser humano vem vivendo através dos séculos e que marcou profundamente suas atitudes, seus valores e suas relações.
A cicatriz do FEMININO FERIDO atinge a homens e mulheres imprimindo marcas profundas no insconsciente.
A mulher por ter sido colocada numa posição passiva face a tantos condicionamentos tornou-se, pelas circunstâncias sociais, emocionais e econômicas um ser voltado para a introspecção. É sempre a mulher que busca o auto-conhecimento e que tenta se aprofundar em seus problemas como se pode constatar nos workshops, cursos e vivências - a presença da mulher é maioria ! Tudo isso vem ocorrendo nas últimas décadas, no passado, esse fato não se evidenciava...
A subordinação da mulher que começou com o patriarcado modificou-se a partir da década de 70 com a publicação do "Segundo Sexo" de Simone de Beauvoir. No Brasil, após o Ano Internacional da Mulher em 1975 grandes conquistas ocorreram no campo político, jurídico e econômico. O mercado de trabalho hoje absorve um número maior de mulheres. Dados apurados de 1995 a 2002 pelos jornais locais indicam um aumento de 60% de mulheres em cargo de alto escalão. A mudança do Código Civil trazendo igualdades de Direitos tornou-se uma realidade jurídica e a criação das Delegacias da Mulher conferiu dignidade para os casos de abuso e violência contra a mulher, principalmente para a mulher pobre.
As conquistas foram importantes contudo a maior, modificação, a meu ver, ainda está por vir. A visão humanista precisa, ainda, tornar-se presente no universo do homem.
O grande poeta Rainer Maria Rilke cantava em seus versos que o progresso há de transformar radicalmente ( muito contra a vontade dos homens) o amor e a sensibilidade do homem para que o lugar do "FEMININO" se construa nas relações afetivas. Percebeu ele, em sua acuidade, que a grande conquista da humanidade estva centrada nas relações de afeto e transformação do amor autoritário para o amor ternura, isto é, a amor feminino do homem e da mulher.
Todos nós fomos criados numa visão esteriotipada mesclada de falsas crenças.Olhar o mundo numa visão unilateral é fechar-se em si mesmo.
A mulher, apesar de ter-se aberto para uma visão plural do mundo tomou para si o masculino do homem e está repetindo o masculino da violência, do poder do controle do outro...O que tem ocorrido é que a mulher integrou o masculino do homem e o homem não integrou o feminino da mulher.Estamos assistindo, no início do século XXI que os âmbitos do público e do privado estão se fundindo e que a globalização vem reforçando as esteriotipias do passado ofuscando crenças reais na conscientização entre as relações homem-mulher.
O FEMININO, a SUBJETIVIDADE, a INTUIÇÃO, o DIÁLOGO, precisam tomar um novo lugar. O ser humano não pode ficar impressado na submissão ou na dominação. Já é chegada a hora da mulher não mais representar papéis para agradar o universo do homem.
A violência, que estamos vivendo, é o desgaste do masculino, do controle do outro, do controle do mundo.
O PLANETA clama pelo FEMININO, clama para que abramos os olhos para o DIÁLOGO INTERNO com a NATUREZA, para que assim possamos resgatar o nosso Poder pessoal, pois a TERRA É FEMININA !